Proteção, limite, ornamento? Molduras!
No primeiro semestre de 2020 fomos emoldurados. Todos estamos no mesmo espaço-tempo desta Obra que nomeamos de vida, mesmo que em processos distintos de isolamento social. Palavras como: máscara, álcool, sabão, COVID 19, distanciamento físico, LIVES, solidão, reuniões por vídeo chamada, entre outras, passaram a fazer parte do dia-a-dia de todos nós, emoldurados nessa realidade em pandemia.
Quando o ano de 2020 iniciou, tínhamos uma noção pretensiosa de normalidade e “caímos na real” ao ver o “chão sair dos nossos pés”. Um real nebuloso das incertezas pós modernas. Kátia Canton traz em “Temas da Arte Contemporânea” conceitos que emolduram o mundo contemporâneo e que são refletidos na arte atual: a superação da modernidade; a questão das narrativas; o tempo e suas relações com a memória; o corpo, a identidade e o erotismo; as noções de espaço e lugar; as políticas e micropolíticas.
Falar de arte é conhecer, pensar, elaborar, contemplar, entre tantas outras formas de relação. Renata Larroyd é fotógrafa e foi a artista com quem estabelecemos uma aproximação para este projeto. Renata é daquelas mulheres que encanta pela sensibilidade que nutre seu contato com a fotografia. Desde pequena envolvida com instrumentos fotográficos, cresceu e “a fotografia a escolheu”. Seus caminhos foram vastos e fotografar sempre esteve em seu cotidiano, com um olhar atento às pessoas e ao mesmo tempo inserido no que nos envolve social, cultural e economicamente.
Em cada registro está inserido seu coração e mente para questões que cercam a arte contemporânea, como: culturas e suas intersecções, o urbano regado de memórias, locais periféricos ricos de centralidade que descentralizam, instantes que eternizam individualidades coletivas, entre tantas outras conexões ímpares de/em/com que se insere no mundo pelo campo da arte.
Os alunos dos cursos técnicos integrados em Refrigeração e Climatização (RAC) e Telecomunicações (TELE) do IFSC São José trilharam caminhos semelhantes, mas com características próprias.
Os alunos de RAC refletiram, por meio de atividades propostas em inglês e em português, sobre relações raciais e questões sociais diversas a partir das fotografias da artista Renata Larroyd, dando especial atenção aos aspectos técnicos da luz.
Já os alunos de TELE estudaram o aspecto técnico da luz, com ponto de partida no cotidiano e com base referencial em artistas contemporâneos para criações pessoais.
As propostas configuram temas contemporâneos que, nesta privação de “infinita liberdade”, ganharam leituras particulares por duas turmas. Cada uma com encaminhamentos diferentes, mas o cotidiano pela/com a/na arte como rumo. Artes, Inglês e Física foram as Unidades Curriculares que depositaram atenção neste processo.
Os trabalhos suscitaram reflexões sobre o “eu”, sobre o “outro” e sobre questões sociais mais amplas. As produções dos alunos, bem como seus relatos evidenciam o contexto vivenciado por cada um – contextos esses em que a “moldura” da pandemia assume diferentes significações.
Prof. Jonathan T. J. Neto
Prof. Leonardo da Silva
Profa. Sandra A. R. Fachinello
IFSC São José














